Meteu-se em uma saia justa e saiu abrindo as pernas.
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domingo, 14 de julho de 2013
sábado, 15 de junho de 2013
domingo, 28 de abril de 2013
terça-feira, 23 de abril de 2013
Pôr-do-sol em Paraty
Apesar da esplêndida paisagem
mar, montanhas e horizonte
- que prenderiam a atenção de qualquer um –
era aquele pequeno objeto retangular
que a apetecia
e que a havia transportado dali,
um livro.
quinta-feira, 28 de março de 2013
sábado, 16 de fevereiro de 2013
domingo, 13 de janeiro de 2013
Poema no varal
Estendeu o poema no varal
para o poema sentir como é estar no mundo
para sentir o poema
sem lê-lo
poema-bandeira trepidando ao vento
preso e solto
ao mesmo tempo
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Entranhas
Pariu. Lindo bebê cheirando a sangue fresco, perfeito em todas as suas partes, a vida em sua plenitude. Para ela, o lindo bebê era apenas a extensão de um falo sem nome que, contra a sua vontade, penetrou-a com ímpetos de violência em uma noite sem lua, sem estrelas e sem amor.
Olhava para a criança mas não via criança, via apenas uma bola de fogo, a mesma que sentiu sair de dentro de si. O que restava do falo, finalmente fora do seu corpo. Deixou-o ali, no mato. Houvesse anjo da guarda, a história teria um final feliz.
sábado, 8 de dezembro de 2012
De coração partido
Despetalava a flor em busca de um bem-me-quer. Sua dor só não era maior do que a da própria flor que tinha, uma a uma, as pétalas arrancadas.
sábado, 17 de novembro de 2012
À memória de Saramago
Entre longos períodos invertidos
digressões e pontos perdidos
vozes que teimam em não se calar
em um emaranhado labirinto linguístico
Até o momento
em que a luz se acende
o pensamento ascende
e tudo faz sentido
Saramago, o amargo é doce
e contemplativo.
sábado, 3 de novembro de 2012
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Urgência
Quando sentires no peito
amor por alguém,
e junto com esse sentimento
o desejo de expressá-lo,
seja através de gestos
ou palavras,
não hesites
não deixes
que qualquer outro sentimento reles
iniba a manifestação do amor.
Aquele a quem amas
merece ouvir de tua boca
a frase das frases:
"eu te amo",
pois é a existência desta pessoa
que fez nascer em ti
o nobre sentimento.
Não sejas egoísta,
ao ponto de guardar o amor
só para ti,
deixa-o transbordar,
inundar o outro
não deixes para amanhã de manhã
não deixes para depois,
pois o amor é o instante
e tu, uma ínfima fagulha
da fogueira do universo
que o menor dos sopros
pode apagar.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
domingo, 21 de outubro de 2012
Pessoas
A estação Saint-Lazare - Claude Monet (1877)
São como objetos distantes
em movimento
nunca se sabe
se elas vem em nossa direção,
ou não.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Monarca
Ela era daquelas mulheres borboletas. Na infância, não passava de uma lagarta. Na adolescência, casulo. E de repente rompeu-se em esplendor, mulher feita. Quando tentei acariciá-la, bateu asas e voou.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Puxando o gatilho
Deu um tiro na cabeça. A presença e a onisciência de Deus levaram-no a cometer o ato atroz. Queria estar plenamente a sós.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
domingo, 2 de setembro de 2012
Puta feita
sua própria castidade, de Salvador Dalí, 1954.
Não precisava daquele corpo. Nunca precisou. Aliás, ele só havia lhe
trazido problemas. Para que tantas curvas? Atraía sem saber. Primeiro foi o pai
que lhe observava pelo buraco da fechadura durante o banho e, de noite, fazia
sempre questão de lhe por para dormir. O beijo de boa noite nunca vinha
sozinho. Depois, quando trabalhou em casa de família, foi a vez do marido da
patroa. Dava sempre um jeitinho de chegar em casa um pouco mais cedo, dizia
coisas e a comia com os olhos. Quando chovia, oferecia-se para levá-la em casa
de carro. Ela precisava do emprego, o pai, doente, não podia mais trabalhar. Contudo
seus pensamentos eram o oposto de seu corpo, neles não havia curvas. De quem a
culpa? Da natureza? De Deus? Queria ser virtuosa, mas suas virtudes se
desfaleciam em suas carnes. Não adiantava vestir roupas largas, qualquer
vestimenta lhe destacava as formas. Entregou os pontos. Perdeu para sua própria
carne, porque a carne predomina, a carne não é fraca, a carne é forte.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Todo poema
Todo poema
deveria ser escrito de vermelho
para saltar aos olhos dos que lêem.
Vermelho, mas não de sangue
vermelho apenas.
Poema é desabafo
aquilo que dentro do poeta não cabe mais
não é lamúria, sussurro ou suspiro,
é grito estertoroso de suicida
o leite que fervendo escorre leiteira afora
atingindo a chama
se juntando a ela
mas não a apaga
a alimenta.
Poema é ponta de faca furando barriga
o primeiro raio de sol que rasga a vista
dói, dói, incomoda
mas é sublime.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Participação em poemantologia
Editor: Carlos Emílio C. Lima
Organização das antologias: Carlos Emílio C. Lima, Cláudio Portella e Pipol.
Projeto gráfico: Augusto Oliviera e Carlos Emílio C. Lima.
Veja a lista completa dos poetas de todo o país incluídos naPoemantologia Portal Cronópios/Arraia PajéurBR:
BRUNO MOREIRA, EUNICE BOREAL, TOMAZ AMORIM IZABEL, ANDERSON PETRONI, MARCOS VINICIUS ALMEIDA, RENATA DE ANDRADE, ÂNGELA CASTELO BRANCO, NATHALIA RECH, OTAVIO RANZANI, ERYCK MAGALHÃES, VANESSA CAMPOS ROCHA, MÁRCIO ARAUJO, JOÃO NICODEMOS, NYDIA BONETTI, CLARICE LINDEN, WENDER MONTENEGRO, RAPHAEL BARROS ALVES, EMANUEL RÉGIS, ATHOS GUIOU, TALLES MACHADO HORTA, LUCAS DOS PASSOS, MARCELI ANDRESA BECKER, MARCELO DONATTI, FLÁVIA IRIARTE, CAROLINA CAETANO, WILSON TORRES NANINI, CHICO PASCOAL, GABRIELA MARCONDES, ISAÍAS FARIA, DARLAN M.CUNHA, GERSON CHAGAS, GRUPO POENOCINE: ARIANE ALVES DOS SANTOS, JONAS PEREIRA SANTOS, LUIS FELIPE DE LUCENA JUNIOR, MICHELL FERREIRA, PAULO SPOSATI ORTIZ E SIMONE SPILLBORGHS; MURYEL DE ZOPPA, ANA F., LÉO MACKELLENE, IVALDO RIBEIRO FILHO, DEMETRIOS GALVÃO, YLO BARROSO, MARCELO BITTENCOURT, RODRIGO VARGAS, REINALDO PIMENTA, CHICO SOMBRA, LUIZ VALADARES, KILITO TRINDADE, RENATA FLÁVIA, TITO DE ANDRÉA, CARLOS ALBERTO, TIAGO ALVES, ALUÍSIO MARTINS, AUGUSTO DE GUIMARAENS CAVALCANTI.
sábado, 7 de abril de 2012
Constituição
há textos que guardo com carinho
guardo-os em minha estante
guardo-os dentro de mim
levo-os comigo
para aonde for
eles constituem parte
do que sou
eu, parte carne
outra parte palavras
perambulo por aí
sexta-feira, 16 de março de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Vento, mar e praia
é o vento
que com a força da paixão
empurra o mar
que em ondas
se entrega
à praia
que com a força da paixão
empurra o mar
que em ondas
se entrega
à praia
domingo, 18 de dezembro de 2011
sábado, 17 de dezembro de 2011
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Vértice
Uns dizem orixá, outros santo
uns dizem catolicismo, outros candomblé
uns a chamam de Iemanjá, há quem a chame de Maria
uma dizem que é religião, a outra crendice
mas quem disse?
(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 21)
uns dizem catolicismo, outros candomblé
uns a chamam de Iemanjá, há quem a chame de Maria
uma dizem que é religião, a outra crendice
mas quem disse?
(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 21)
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Leva tempo
para que o amor de
um
cruze o amor de
outro
às vezes
leva uma vida inteira
e eles não
se cruzam
para os afortunados
eles já nascem entrelaçados
*poema selecionado para o Livro Prêmio Alt Fest, patrocinado pela Fliporto.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Aroma de amora
No interior,
facilmente se encontra pés de amora
e debaixo deles se namora.
Quando criança, no caminho de volta da escola
gostoso era comer amora,
colher amora...
ajudar as meninas a trepar nos galhos mais altos,
segurá-las pelas mãos...
Colocar amoras (as mais suculentas)
em suas bocas,
e observar o doce suco da fruta
tingir-lhes os lábios.
Chegar em casa de roupas manchadas
e ouvir as queixas de mamãe:
"suco de amora não sai da roupa"
e da memória.
(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 57)
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Feliz dia das crianças
O pato indeciso
empata toda hora
com a linda patinha branca
ele não sabe se namora.
***
Nhoca
a minhoca dorminhoca
come nhoque
todo dia
nhoc nhoc
nhoc nhoc
nhoc nhoc
que alegria!
domingo, 2 de outubro de 2011
Acerto de contas
|O Papa diz:
- Perdão.
O Pajé, de terço no pescoço, responde:
- Amém.
(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 35)
- Perdão.
O Pajé, de terço no pescoço, responde:
- Amém.
(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 35)
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Estátua
(Foto de Eryck Magalhães, Cemitério dos Passos, Guaratinguetá-SP)
Aquela estátua sempre estivera ali, imóvel, fria e cinza. Guardava dela
uma vaga lembrança de infância, quando em dia de finados ia com meus pais
visitar os falecidos entes da família. No entanto aquela foi a primeira vez que
realmente a olhei, ou ela olhou para mim. Não havia ninguém por perto, o
cemitério estava vazio. Apenas eu e ela. Aproximei-me um pouco e pude conferir seus
contornos, os ombros curvados. O cotovelo
sobre uma das pernas servia de apoio para o braço que sustentava a mão cujos
dedos, entrelaçados aos cabelos, amparavam a fronte. Em sua superfície,
principalmente perto dos ombros, havia uma camada de musgo. Num ímpeto a toquei.
Não sei se a intenção era a de confortá-la, acalmá-la ou até mesmo a de
acariciá-la. Enfim, a toquei. O musgo que lhe cobria era como se fosse um manto
de veludo, assim eu o senti com as pontas dos dedos. Por um momento, quase que
senti seu tronco arfar como em um suspiro profundo. Um vento frio passou por
mim. Ajustei meu casaco ao corpo e parti.
Assim como a mulher de Ló, não pude deixar de olhar para trás. Entretanto
a estátua era ela. Não nego que tive vontade de ficar ali, imóvel,
contemplando-a, mas o vento me soprou adiante. Carrego dela esta última imagem
na retina. Às vezes, ela me aparece em sonhos dos quais não me recordo muito
bem. Ela nunca fala, as vestes sempre as mesmas. Seus longos cabelos frente à
face me impedem de admirar suas feições, mas sua energia me atrai feito imã.
Sei que mais dia menos dia vou ter que voltar lá para visitá-la. Não sei
quando. Hei de vê-la e, desta vez, contemplar seu semblante. O rosto, quero ao
menos um esboço de sorriso, a tez de pétala de rosa branca, os olhos
cintilantes. Eu, o anjo e ela, Santa
Teresa. De nós, o êxtase.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
terça-feira, 12 de julho de 2011
sábado, 18 de junho de 2011
Arritmia
O sentimento muda tal qual nuvem.
O mesmo amor que desarma,
arma...
O bem-querer que acalma,
desalma...
O abraço que afaga,
afoga...
Coração é folha seca,
pena de passarinho à deriva,
quem traça o caminho é o sopro do vento.
(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 44)
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Lapsos e tessituras
Eu e o poeta e contista de Cachoeira Paulista, Jurandir Rodrigues, na noite de lançamento de seu livro de contos: "Lapsos e tessituras".
domingo, 5 de junho de 2011
Cheiro de saudade
dedicado à avó Maria
cheiro de mexerica
e o aconchegante sol de inverno
só não era mais aconchegante
que a companhia de minha avó
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Antes do amém
Tentava se
concentrar enquanto rezava o terço, todavia uma cólica intestinal exigia sua
atenção e parecia fazer questão de lembrá-lo, a todo o momento, do seu lado
mais humano. Com muito esforço, chegou ao quinto mistério, porém a vontade tornou-se
incontrolável. Correu em disparada ao banheiro com terço e tudo, arriou as
calças, sentou-se no vaso e, quando finalmente ia dar cabo ao seu intento, o
seguinte pensamento invadiu-lhe a mente: ‘Será pecado rezar e cagar ao mesmo
tempo?’. O questionamento travou-lhe o esfíncter . Ficou ali, sobre o vaso, de terço nas mãos,
balbuciando uma ave-maria e tentando achar uma resposta. Enquanto
isso, a vontade ia reformulando-se em pequenas ondas até se tornar uma imensa
onda em pleno mar revoltoso. Apressou a reza, segurou o máximo que pode mas,
antes de dizer o amém final, aquilo tudo veio abaixo como golpes de um martelo
furioso.
Sentiu vergonha de si mesmo, até
porque o alívio era extremamente prazeroso. Sentiu vergonha de Deus, certamente
ele havia presenciado tudo, visto que em todo lugar está. E o esforço? Todo em
vão! Restou-lhe o confessionário. Mal limpou a bunda e subia as calças e pôs-se
a caminho da igreja.
domingo, 1 de maio de 2011
Sobremesa
Acometida pela fome, Chapeuzinho Vermelho parou no meio da floresta e
comeu o bolo que levava para a vovó. Ao chegar ao seu destino, deparou-se com o
lobo prestes a comer a pobre velhinha. Não teve dúvidas. Devorou o lobo.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Guará: Shopping promove evento na Semana do Livro
| A partir desta quinta-feira, haverá noite de autógrafos com escritores |
Acontece nos próximos dias 28, 29 e 30 de abril, no Buriti Shopping Guará, a Comemoração da Semana do Livro – que contará com Banca para Troca de Livros, Teatrinho, história infantil e história sensorial contadas por especialistas, noites de autógrafos e encontro com escritores além de debates sobre temas variados.
Estão confirmadas as participações dos escritores Ana Cecília Láua, Tonho França, Henrique Alckmin, Eliana Maciel, Isabel Ramos, Nídia Violante, Wilson Gorj, Fabiano Garcez entre outros. A empresa “Novakraft”, de Potim, promoverá no local uma Oficina de Papel Reciclado para divulgar a importância da reciclagem e ainda conta com a participação de deficientes visuais interagindo com o público. Os produtos que resultam desse projeto estarão à venda na Papelaria Nobel. A participação é gratuita e aberta aos interessados.
Fonte: http://www.vnews.com.br/noticia.php?id=9457
|
sexta-feira, 1 de abril de 2011
sábado, 5 de março de 2011
Epifania
Em uma tarde de fortes ventos, uma rosa branca, impelida pela ventania, pode finalmente realizar seu desejo. Desferiu no beija-flor um beijo e tingiu-se de vermelho.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Tuitadas
Ele: vem cabrocha!
Ela: vem cá, broxa!
***
Cueca / Cu? Eca!
***
amar ela / amarela / amá-la / amala / a mala / mala / la
***
Compus, não com sangue, com pus.
***
O homem nega o cio. Negocia.
***
Tu supões / tu chupões / two chupões
***
Eclipse é quando o Sol copula com a Lua.
***
a leitura me apraz me apraz mea praz mea paz paz
***
Paixão é quando os corações são imãs um do outro.
***
Quem não é fruto de um caso, só pode ser fruto do acaso.
***
Sessão Maria
1- Para os fumantes: Maria-fumaça.
2- Para os sentimentalistas: Maria mole.
3- Para os promíscuos: Maria-sem-vergonha.
4- Para os altruístas: Maria vai com as outras.
5 - Para os puritanos: Maria, a virgem.
***
Lágrimas fertilizam o sentimento.
***
Crianças são como nuvens, brincam sem consciência.
***
Não sei quantos poemas estão incubados em mim. No momento certo, não hesitarei em pari-los.
***
sussURRO
***
Entre a existência e o nada, um fio tênue _____________________
***
O fresco ar da manhã, injetado nos pulmões com violência. Não há dor, há vida.
***
Nós somos nós duros de desatar...
***
sábado, 15 de janeiro de 2011
Prefácio de "Ecos e outros versos"
Seguindo uma constante entre os melhores poetas brasileiros, a poesia de Eryck
Magalhães é sem dúvida marcada por uma profunda e obstinada busca da palavra
justa, navegando, conforme ensinado por João Cabral, perigosamente entre os
rios da participação e da construção, sina, por motivos óbvios, de literaturas
como a nossa. Mas que fique desde já afirmado: este é um poeta de timbre
próprio.
Numa primeira leitura, a surpresa impõe-se, derivada justamente de sua
riqueza. Há uma multiplicidade de temas, dicções e recursos que contrasta com a
concisão tanto do livro quanto com a de quase todos poemas aqui presentes. Seus
temas variam do amor --- “Passeio de fim de tarde” --- à metalinguagem de
“Receita caseira”; do prazer lentamente saboreado de uma descoberta da infância
--- “Aroma de amora” --- à noite sórdida --- “Sentinelas”.
As dicções, por sua vez, remetem a um intenso diálogo mantido pelo poeta
com a tradição literária na qual se encontra inserido, por exemplo, “Antipoema”
ecoa “Autopsicografia” de Pessoa, “Av. Paulista” é explicitamente oswaldiana, “Imperfeições
da Linguagem” aponta para os concretistas e o humor nonsense de José Paulo Paes.
Mais duas últimas coisinhas sobre essa poesia instigante. A infinidade de
recursos poéticos manuseados em Ecos e
outros versos mereceria um parágrafo, impossibilitado, contudo, uma vez que
o espaço se esgota. Só um toque: atente-se à espacialização do já citado
“Imperfeições da Linguagem” e a do “Metrópole Concreta” ou às aliterações e
paranomásias de “Resquícios”. Um outro toque: a temática tratando da questão
negra no Brasil ocupa vários poemas, fato por si só capaz de suscitar
indagações no leitor, deve ser lembrado, porém, a participação de Eryck
Magalhães na Educafro, curso Pré-vestibular voltado a afrodescendentes,
primeiro como aluno depois como coordenador, como também essa matéria ter
ocupado o autor no período de conclusão de seu curso superior em Letras.
Por fim, há reparos sem dúvida, mas isso são senões diante de uma obra
que se inicia, pedras no caminho, mas pedras no meio do caminho, de acordo com
Drummond, compõem o itinerário da poesia, assim, por ora, usufruam, deleitem-se.
João dos Santos Clemente Neto
domingo, 2 de janeiro de 2011
Fatalidade
Era aficionada por livros. Destino traçado: seria uma intelectual. No
entanto, foi encontrada morta sobre um livro. A indigestão matou a traça.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Tautologia
Inesperadamente, não se sabe de onde, surgiu um homem com uma borracha
até certo ponto comum, e apagou todas as palavras do mundo. Insatisfeito,
entrou nas mentes de toda a gente e de lá arrancou todas as palavras.
Finalmente partiu para não se sabe onde, levando-as consigo.
Com muito custo, algum tempo depois, algumas pessoas começaram a se
lembrar de alguns vocábulos. Porém, por mais que se esforçassem, não conseguiam
se lembrar de seus significados. Logo, o que era até então conhecido como
árvore passou a ser chamado de terra, a terra agora era rio, o rio, nuvem.
Talvez o mais inusitado tenha acontecido com o amor que virou ódio. Não era
raro ouvir dos casais apaixonados a insólita declaração “eu te odeio”, dita com
extrema delicadeza e sinceridade que fazia apetecer qualquer coração.
No mais, tudo ficou como era antes, mesmo não sendo.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
o homem
cadáver de si mesmo
na lasca de unha
cor|
tada
no fio de cabelo
c
a
í
d
o
na célula
des pren di
da
vestígios de corpo
sem despedida
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Visita à escritora Ruth Guimarães
Visita à escritora Ruth Guimarães, de Cachoeira Paulista, autora do romance "Água Funda". Foi uma tarde agradabilíssima e memorável.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Feira itinerante de troca de livros no Senac de Guaratinguetá
FESTIVAL DO LIVRO
Semana de incentivo à leitura
| FEIRA ITINERANTE DE
TROCA DE LIVROS |
Outubro de 2010
Realização:
SENAC e Grupo VALEFOCO
Apoio Cultural:
Jornal O Lince, C.S.A Sítio do Juca, Sila
Produções, Dep. de Cultura de Guaratinguetá
DIA 18/10 – segunda-feira:
–
19h30 - Abertura com apresentação do “Sarau Cênico” realizado pelo Grupo
Dell’arte Companhia Teatral, sob direção de Souza Heiras.
– 20h30
– Literatura na tela – Machado de Assis
“Uns Braços”
–
21h30 – Sorteio de livros dos selos Vale
em poesia e Três por quatro,
editora Multifoco.
Dia 19 – terça:
– 19h – Sessão de autógrafos de autores de Cachoeira
Paulista. Livros Acontecência, do poeta
Jurandir Rodrigues, e O Expectador da
Vida, do artista e escritor Jurandir Fábio Monteiro, cujas obras (quadros e
esculturas) estarão em exposição durante o evento.
–
20h30 – Palestra com Prof. Jurandir Rodrigues: Literatura X Tecnologia.
Dia 20
–
quarta: – 19h – Sessão de autógrafos
com a autora mirim : Sofia Helena Barbosa Lourenço (Palavra de criança – Aparecida, SP)
– 20h
– Sessão de autógrafos dos poetas guaratinguetaenses
Tonho França, livro O bebedor de Auroras,
e Dora Vilela, Bordados do Avesso.
–
20h50 – Palestra com o professor e poeta Adams Alpes – Revisão: linhas
e caminhos
Dia 21 – quinta:
–
19h – Tributo a José Afonso de Freitas, poeta de Aparecida, autor do livro Aquém do Lago Azul.
–
20h30 – Sessão de autógrafos dos livros Ecos
e outros versos, Eryck Magalhães (Guaratinguetá), e Prometo ser breve, do contista Wilson Gorj (Aparecida).
Dia 22 – sexta-feira:
–
19h – Prof. Clebber Bianchi ministra Oficina: Poesia não!
–
20h15 – Sessão de autógrafos com os poetas Clebber Bianchi, autor de À medida dos Tempos (Taubaté), e Fabiano
Fernandes Garcez, Diálogos que ainda
restam (Guarulhos, SP).
–
21h – Ciranda de poesia com os poetas da editora Multifoco.
–
22h – Encerramento com novo sorteio de livros.
A semana toda acontecerá a Feira
Itinerante de Troca de Livros.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
"Imortais do Twitter"
Matéria publicada pela revista Língua Portuguesa, edição deste mês de outubro, por conta do concurso realizado via twitter pela ABLetras, o twitter da Academia Brasileira de Letras. Além de publicar os três textos vencedores do concurso, a matéria também ressalta a importância da ABL estimular a produção literária na "tuitosfera".
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
terça-feira, 7 de setembro de 2010
sábado, 28 de agosto de 2010
Premiação na Academia Brasileira de Letras
Nesta quinta-feira (26/08/2010), estive na ABL por conta da premiação do concurso de microcontos realizado via twitter pela ABLetras, o twitter da Academia Brasileira de Letras. O microconto "Dilema da Aranha" ocupou o 3º lugar entre os participantes.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Premiação na ABL
Nesta quinta, 26/08, estarei na Academia Brasileira de Letras por conta da premiação do concurso ABLetras.
Quem quiser ler o texto premiado, basta clicar no link abaixo:
http://eryckmaga.blogspot.com/2010/04/dilema-da-aranha.html
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Jornal O Lince
edição julho / agosto
Matéria publicada sobre os poetas e contistas da região valeparaibana
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
"Ecos e outros versos" na Bienal
Tarde de autógrafos, na Bienal do livro, em São Paulo, 14/08/2010.
O evento foi realizado no estande da Editora Multifoco.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Ecos e outros versos na Bienal
Dia 14 de agosto, "Ecos e outros versos" na Bienal. Confira a programação no site da editora Multifoco:
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Ecos e outros versos
Adquira seu exemplar através do seguinte site: http://www.tonhofranca.com.br/banca/banca-do-tonho.php
ou entre em contato com o autor eryckletrado@hotmail.com
sábado, 24 de julho de 2010
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Peleja
No Pelourinho pelava-se a pele.
Negro pelado,
sem cor.
Hoje no Pelourinho
só pelo lourinho.
(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 15)
Negro pelado,
sem cor.
Hoje no Pelourinho
só pelo lourinho.
(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 15)
Descobrimento
No meio da mata fechada
a índia nua e virgem...
O português cristão
nunca amou tanto o próximo
como a si mesmo.
(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 36)
a índia nua e virgem...
O português cristão
nunca amou tanto o próximo
como a si mesmo.
(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 36)
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