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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Vento, mar e praia
é o vento
que com a força da paixão
empurra o mar
que em ondas
se entrega
à praia
que com a força da paixão
empurra o mar
que em ondas
se entrega
à praia
domingo, 18 de dezembro de 2011
sábado, 17 de dezembro de 2011
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Vértice
Uns dizem orixá, outros santo
uns dizem catolicismo, outros candomblé
uns a chamam de Iemanjá, há quem a chame de Maria
uma dizem que é religião, a outra crendice
mas quem disse?
(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 21)
uns dizem catolicismo, outros candomblé
uns a chamam de Iemanjá, há quem a chame de Maria
uma dizem que é religião, a outra crendice
mas quem disse?
(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 21)
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Leva tempo
para que o amor de
um
cruze o amor de
outro
às vezes
leva uma vida inteira
e eles não
se cruzam
para os afortunados
eles já nascem entrelaçados
*poema selecionado para o Livro Prêmio Alt Fest, patrocinado pela Fliporto.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Aroma de amora
No interior,
facilmente se encontra pés de amora
e debaixo deles se namora.
Quando criança, no caminho de volta da escola
gostoso era comer amora,
colher amora...
ajudar as meninas a trepar nos galhos mais altos,
segurá-las pelas mãos...
Colocar amoras (as mais suculentas)
em suas bocas,
e observar o doce suco da fruta
tingir-lhes os lábios.
Chegar em casa de roupas manchadas
e ouvir as queixas de mamãe:
"suco de amora não sai da roupa"
e da memória.
(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 57)
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Feliz dia das crianças
O pato indeciso
empata toda hora
com a linda patinha branca
ele não sabe se namora.
***
Nhoca
a minhoca dorminhoca
come nhoque
todo dia
nhoc nhoc
nhoc nhoc
nhoc nhoc
que alegria!
domingo, 2 de outubro de 2011
Acerto de contas
|O Papa diz:
- Perdão.
O Pajé, de terço no pescoço, responde:
- Amém.
(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 35)
- Perdão.
O Pajé, de terço no pescoço, responde:
- Amém.
(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 35)
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Estátua
(Foto de Eryck Magalhães, Cemitério dos Passos, Guaratinguetá-SP)
Aquela estátua sempre estivera ali, imóvel, fria e cinza. Guardava dela
uma vaga lembrança de infância, quando em dia de finados ia com meus pais
visitar os falecidos entes da família. No entanto aquela foi a primeira vez que
realmente a olhei, ou ela olhou para mim. Não havia ninguém por perto, o
cemitério estava vazio. Apenas eu e ela. Aproximei-me um pouco e pude conferir seus
contornos, os ombros curvados. O cotovelo
sobre uma das pernas servia de apoio para o braço que sustentava a mão cujos
dedos, entrelaçados aos cabelos, amparavam a fronte. Em sua superfície,
principalmente perto dos ombros, havia uma camada de musgo. Num ímpeto a toquei.
Não sei se a intenção era a de confortá-la, acalmá-la ou até mesmo a de
acariciá-la. Enfim, a toquei. O musgo que lhe cobria era como se fosse um manto
de veludo, assim eu o senti com as pontas dos dedos. Por um momento, quase que
senti seu tronco arfar como em um suspiro profundo. Um vento frio passou por
mim. Ajustei meu casaco ao corpo e parti.
Assim como a mulher de Ló, não pude deixar de olhar para trás. Entretanto
a estátua era ela. Não nego que tive vontade de ficar ali, imóvel,
contemplando-a, mas o vento me soprou adiante. Carrego dela esta última imagem
na retina. Às vezes, ela me aparece em sonhos dos quais não me recordo muito
bem. Ela nunca fala, as vestes sempre as mesmas. Seus longos cabelos frente à
face me impedem de admirar suas feições, mas sua energia me atrai feito imã.
Sei que mais dia menos dia vou ter que voltar lá para visitá-la. Não sei
quando. Hei de vê-la e, desta vez, contemplar seu semblante. O rosto, quero ao
menos um esboço de sorriso, a tez de pétala de rosa branca, os olhos
cintilantes. Eu, o anjo e ela, Santa
Teresa. De nós, o êxtase.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
terça-feira, 12 de julho de 2011
sábado, 18 de junho de 2011
Arritmia
O sentimento muda tal qual nuvem.
O mesmo amor que desarma,
arma...
O bem-querer que acalma,
desalma...
O abraço que afaga,
afoga...
Coração é folha seca,
pena de passarinho à deriva,
quem traça o caminho é o sopro do vento.
(Eryck Magalhães, Ecos e outros versos, 44)
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Lapsos e tessituras
Eu e o poeta e contista de Cachoeira Paulista, Jurandir Rodrigues, na noite de lançamento de seu livro de contos: "Lapsos e tessituras".
domingo, 5 de junho de 2011
Cheiro de saudade
dedicado à avó Maria
cheiro de mexerica
e o aconchegante sol de inverno
só não era mais aconchegante
que a companhia de minha avó
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Antes do amém
Tentava se
concentrar enquanto rezava o terço, todavia uma cólica intestinal exigia sua
atenção e parecia fazer questão de lembrá-lo, a todo o momento, do seu lado
mais humano. Com muito esforço, chegou ao quinto mistério, porém a vontade tornou-se
incontrolável. Correu em disparada ao banheiro com terço e tudo, arriou as
calças, sentou-se no vaso e, quando finalmente ia dar cabo ao seu intento, o
seguinte pensamento invadiu-lhe a mente: ‘Será pecado rezar e cagar ao mesmo
tempo?’. O questionamento travou-lhe o esfíncter . Ficou ali, sobre o vaso, de terço nas mãos,
balbuciando uma ave-maria e tentando achar uma resposta. Enquanto
isso, a vontade ia reformulando-se em pequenas ondas até se tornar uma imensa
onda em pleno mar revoltoso. Apressou a reza, segurou o máximo que pode mas,
antes de dizer o amém final, aquilo tudo veio abaixo como golpes de um martelo
furioso.
Sentiu vergonha de si mesmo, até
porque o alívio era extremamente prazeroso. Sentiu vergonha de Deus, certamente
ele havia presenciado tudo, visto que em todo lugar está. E o esforço? Todo em
vão! Restou-lhe o confessionário. Mal limpou a bunda e subia as calças e pôs-se
a caminho da igreja.
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